I
O que é isso?!
Mas que horror!
Pare com isso!
Você é dois:
Um que fala conosco e quem você é realmente.
Pare com isso!
Você está se arranhando,
Você está se driblando... Isto é certo?
Você não sabe. Você finge que sabe e,
às vezes, que não sabe.
Você ignora você.
É indigno.
É o próprio cafetão.
Você não consola você mesmo.
Você está agindo, mas não está pensando.
Você está pensando, mas não está agindo.
Você pára e, de repente,
não mais que de repente (e isso é muito importante), sorri.
Você sai, volta e fica, mas nunca permanece.
Você é preenchido de vocês de muitas vozes,
Mas nenhuma sua.
Você só troca algumas,
Escolhe outras,
Inventa,
só isso.
Mas você não é você.
De certa forma, sem querer,
tem você em algum lugar,
mas em um lugar que você não sabe.
Você se contradiz,
esmera por você e sonha você,
mas nunca realmente você.
Você é ele,
ele e aquele outro, mas jamais você.
Você é uma coisinha, que você mesmo gosta de moldar.
Você treme perante a você,
você ri perante a você, mas nunca para você.
Você aprende sobre você,
aproveita e esquece você também,
não sabe se é você mesmo.
Isto mesmo que havia sido dito:
você não é você.
Você não vive por você.
Você,
no máximo,
é um paralelo de você mesmo,
que na verdade nem é você.
Você se faz de você e,
por trás de você, não há você mesmo.
Você só se priora de você
e mais você
e mais um pouquinho de você,
mas você jamais será você.
Você não se circula,
você só se mistura,
você se trabalha,
mas não trabalha você,
você só se passa por você.
Você?
Você não é nada.
II
Entrando por rosas, Saindo por rodas, Só um amor e nada mais, Libertinagem e sítio, Não um homem, Só um auspício...
Arrancando suspiros, Por prazer ou por costume, Sendo uma vez pelo menos, O sangue e seu perfume, Celebrando a reprise, Da idéia e seu curtume.
Brigando por vezes com alguém, Alguém dentro de si, Alguém fora de si, Que está importunando, O coitado do garoto, Recíproco Maroto.
Autor:Augusto villela loffredo

Não pude deixar de por essas poesias nesse blog, são fortes, marcantes.
De um amigo meu chamado Augusto Villela Lofredo
Escrito por pedroaac às 14h11
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